Google libera imagens mais nítidas do Brasil para monitoramento florestal • Tecnoblog
O Google Earth agora tem uma visão muito mais nítida do passado do Brasil. A empresa liberou um novo conjunto de imagens de alta resolução de 2008, ano que serve como marco temporal para o Código Florestal no país. A tecnologia permite identificar desmatamentos em pequena escala que, até então, apareciam como borrões nas fotos de satélite da época.
A iniciativa é resultado de uma parceria com o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) e o Ministério do Meio Ambiente (MMA). Além de aprimorar a visualização humana, o projeto inclui o chamado Mosaico Analítico, uma versão dos dados preparada para processamento por inteligência artificial, com foco na automação do monitoramento ambiental em larga escala.
O objetivo é destravar a análise do Cadastro Ambiental Rural (CAR), sistema que exige que proprietários de terra preservem a vegetação nativa com base no estado do solo em julho de 2008.
Foco na fronteira do desmatamento
Para reconstruir o mapa, o Google processou mais de 6 mil cenas capturadas entre 2007 e 2009, utilizando arquivos históricos. A empresa priorizou a cobertura em áreas privadas em estados da fronteira do desmatamento na Amazônia, como Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Tocantins.
Antes, as imagens disponíveis para 2008 tinham resolução de 30 metros. O novo conjunto, chamado Brazil Forest Imagery Dataset 2008, é seis vezes mais preciso. Isso, segundo a empresa, permite distinguir pequenos fragmentos de vegetação e margens de rios antes imperceptíveis.
O material foi organizado em dois produtos:
- Mosaico Visual: reúne imagens com correções radiométricas que equilibram cores e criam uma visão contínua do território. O objetivo é facilitar a verificação de limites de propriedades e a identificação de elementos geográficos, como nascentes e fragmentos de mata.
- Mosaico Analítico: desenvolvido para análise de dados e uso em machine learning, preserva informações brutas, incluindo bandas de infravermelho próximo (falsa cor). Esses dados devem permitir que algoritmos identifiquem padrões com precisão, como a saúde da vegetação, tipos de solo e variações não visíveis a olho nu.
Desenvolvedores já podem solicitar o acesso aos dados através do Earth Engine Data Catalog.
Maior segurança jurídica
Na avaliação do Google, a atualização ajuda a resolver um impasse jurídico que se arrasta há anos. Como o Código Florestal vincula as obrigações dos proprietários ao que existia no terreno em 2008, a falta de registros visuais claros desse período abria espaço para contestações e incertezas na fiscalização.
Com imagens mais nítidas desse recorte temporal, a margem de erro em autuações tende a diminuir, ao mesmo tempo em que facilita a comprovação para quem manteve a vegetação preservada.
A empresa também disponibilizará os dados ao público por meio do Módulo de Consulta Pública do SICAR (Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural). A expectativa é que, até o fim de 2026, a tecnologia esteja totalmente integrada aos sistemas do governo.
